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Ney
Lopes de Souza Junior, meu filho, se elegeu vereador em Natal, no
último 5 de outubro.
Ele
sempre desejou ingressar na vida pública. Dei-lhe esse exemplo
com o exercício de seis mandatos de deputado federal:
vice-prefeito de Natal; primeiro suplente de Senador da República.
Dizia-lhe
que só ingressasse na política, quando não
dependesse dela para viver.
A
política é vocação. Não é
profissão.
Ney
Jr concluiu o curso de Direito, na UnB, no Distrito Federal. Fez
Mestrado na “American University” em Washington DC, Estados
Unidos. Freqüentou curso de especialização em
“marketing político”, na George Washington Univerisity,
também em Washington DC.
Preparou-se
profissionalmente. Exerce a advocacia profissional há anos.
Inclusive, com escritório instalado em Brasília-DF.
Ultimamente,
resolveu fazer o curso de jornalismo. Ele é concluinte este
ano na UnP, conceituada universidade potiguar.
Desejo
a ele nesse momento em que sobe o primeiro degrau na vida pública,
que seja na política como um “jardineiro”. Na expressão
de Victor Hugo sempre “plante uma semente; por mais minúscula
que ela seja; e acompanhe o seu crescimento; para que saiba de
quantas muitas vidas é feita uma árvore”.
Posso
afirmar, que mesmo com 34 anos de vida, Ney Jr já acumulou
muita experiência de vida pessoal e profissional. Tem tudo para
exercer bem o mandato de Vereador, dignificando o voto popular.
Talvez,
a maior experiência de vida de Ney Jr tenha sido estar nos
Estados Unidos no fatídico dia 11 de setembro. Presenciou as
apreensões e agonias acompanhadas no mundo todo.
Imagino
a sua intranqüilidade, quando estava na Universidade e pela
Internet instalada em cada bancada da sala de aula, soube que as
“torres gêmeas” de Nova York haviam ruído.
Minutos
após, relatou-me, atônito ao telefone, os gritos, o
desespero, a correria de professores, alunos e funcionários,
todos apavorados com o estrondo do “Boeing” jogado contra o
Pentagom, o centro, até então impenetrável, das
operações militares norte-americanas.
Ele
estava há cerca de um quilômetro e meio do edifício
atingido.
Em
meio ao tumulto, propagava-se o temor de que, em minutos, fosse
lançado outro avião suicida sobre a Casa Branca. Logo
as ligações telefônicas foram suspensas e as ruas
evacuadas. Foi para casa a pé com tudo interditado, até
o metrô.
Depois,
durante horas, nada de comunicação. De longe, eu, a sua
mãe, irmãs, familiares e amigos acompanhamos a
distancia o seu pavor. Porém, para não nos decepcionar,
teimava em dizer que “estava tudo bem” e iria continuar os
estudos do Mestrado em Direito, que fazia na “American University”.
Tratava-se
de uma oportunidade, talvez única, de pós-graduação,
de novos conhecimentos e contatos. Não aceitou voltar ao
Brasil. Cheguei a pedir-lhe isto. Optou por permanecer em Washington
DC, mesmo com a onda diária de terrorismo e riscos de bombas.
Fez
estágio no BID (Banco Intermaericano de Desenvolvimento) e
percebeu quanto dinheiro existe a fundo perdido para ser aplicado em
cidades latino-americanas.
Sempre
me perguntava: “por que a cidade de Natal não faz um
projeto para resolver com o dinheiro do BID, definitivamente o nosso
problema de saneamento básico?”
No
final do mestrado fez a sua tese sobre aspectos jurídicos do
comércio na América Latina. Foi incisivo ao defender
mudança da política norte-americana, em relação
ao nosso continente. Provocou polêmica na Universidade.
No
dia do recebimento da graduação (“Mestre em Direito
Econômico Latino-americano”) estava ao lado dele, juntamente
com Abigail, suas irmãs e alguns familiares.
Festejamos
a vitória da persistência de quem sempre quis
melhor se qualificar profissionalmente para enfrentar os desafios da
sua terra. Da coragem de enfrentar as adversidades de um país
praticamente em guerra naquela época.
Venceu
a disputa em Natal por um lugar na Câmara Municipal.
As
obrigações da paternidade impõem orientá-lo
para sempre preservar a honestidade, a perseverança e a
disciplina.
A
sociedade não supre esses ensinamentos. Eles vêm de
casa. Com Abigail sempre nos esforçamos para dá o
exemplo. Seguimos o conselho de John Stuart Mill : “as
obrigações dos pais em relação aos filhos
estão indissoluvelmente ligadas ao fato de darem existência
a um ser humano. Em relação à sociedade, cabe
aos pais em fazer da criança um membro útil e em
relação à criança, cabe a eles o empenho
em fazer o que estiver ao seu alcance para proporcionar educação,
a formação e os meios para que, por seu próprio
esforço, o filho tenha uma vida bem-sucedida”.
Os
pais responsáveis dão o exemplo, abrem mão dos
seus próprios desejos e aspirações, revisam
prioridades, “vão aos confins da terra pelo bem dos
filhos”. Esopo, numa fábula, mostra que as palavras são
importantes, mas vale fundamentalmente o exemplo. Descreve um
caranguejo na praia com a sua mãe, que o repreende dizendo:
“não corra de lado. Andar para frente é mais
adequado”. O jovem caranguejo, respondeu: “Claro, mamãe,
quero apreender. Mostre como se anda para frente e eu ando atrás
de você”.
Festejamos
a vitória de Ney Jr, como vereador eleito de Natal.
Ao
lado dos companheiros eleitos ajudará na revitalização
da Câmara Municipal de Natal. Não se trata de invalidar
o trabalho dos que vieram antes.
Em
absoluto.
Trata-se
apenas de avançar na tarefa de legislador municipal. Buscar
acompanhar o dia a dia da cidade, dos seus problemas, dos seus
desafios. E ajudar no que for possível.
Esta
não será uma tarefa individual. Mas de todos que
integram o legislativo municipal de Natal.
Digo-lhe
apenas: “parabéns, meu filho”.
Percorremos
juntos a íngreme estrada da vida. Como disse Ghandi, a alegria
não está na vitória propriamente dita, mas na
luta, na tentativa e no sofrimento envolvidos. Por isso, na hora do
seu sucesso recordei o provérbio chinês que aconselha
“procurarmos acender uma vela em vez de amaldiçoar a
escuridão”. Em família, sempre agimos assim.
Agradeço
muito ao povo do RN, o que alcancei na vida pública e poderei,
ainda, alcançar. Foi difícil chegar até aqui.
Mas conseguimos.
Você
tem o meu nome e herda uma vida pública limpa, coerente e
responsável. Agradeço a Deus essa Graça. Esteve
sempre ao meu lado, participando da atividade política e
conhecendo de perto as dificuldades de um homem público.
Aprendeu muito, porém o conhecimento é infinito. Cada
dia é um novo aprendizado.
Nunca
decepcione quem acreditou em você. Jamais seja ingrato ou
traidor. Evite a bajulação.
Assuma
posições claras, mesmo correndo o risco de ser
incompreendido. Não busque agradar a todos. Seja coerente e
honesto consigo mesmo. Como no texto de Victor Hugo busque descobrir
a existência de “oprimidos, injustiçados
e infelizes à sua volta”. Lembre-se da
advertência do escravo, que segurava a coroa de louros sobre a
cabeça do general romano vitorioso: "Não te
esqueças que és humano".
Eu
e a sua mãe sempre mostramos a você e às suas
irmãs – Karla e Aninha – o valor da virtude da humildade,
que inspira a força moral, indispensável ao sucesso. No
final do seu mestrado (2002) em Direito Econômico
Internacional, na “American University” em Washington DC, nos
Estados Unidos, escrevi artigo, no qual transcrevi os conselhos de
Robert E. Lee ao seu filho: “seja franco; a franqueza é
filha da coragem e da honestidade. Diga o que pretende fazer em todas
as ocasiões e se certifique de fazer o que é correto.
Se um amigo pedir um favor, faça, se for razoável; se
não for, explique simplesmente porque não vai fazer;...
Não faça nada incorreto para ganhar ou manter uma
amizade; quem pedir para fazê-lo está pronto a se vender
e o preço é um sacrifício muito caro. Tenha uma
atitude gentil, porém firme com todos os seus amigos. Acima de
tudo não tente parecer, o que não é. Cumpra os
seus deveres. Não permita que eu e sua mãe tenhamos um
só fio de cabelo branco por qualquer falha de sua parte no
cumprimento do dever”
Ao
vê-lo entrar vitorioso na vida pública tenho a sensação
daquela cena da Ilíada, o primeiro grande épico
de Homero, em que o troiano Heitor ao deixar a cidade para combater
os gregos, olhou firmemente o seu filho e pediu aos deuses que “algum
dia os troianos dissessem dele é melhor do que o
pai”.
Que
Deus o abençoe!
(Seu Comentário)
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