Li na edição do JH de 13 último, entrevista do deputado José Dias (PMDB-RN), a
quem admiro pela inegável competência pessoal, espírito público e ilibada
conduta. Declarou o parlamentar que em 2006, o PMDB e o DEM perderam a eleição
para o governo do Estado, não pela adversária Vilma de Faria, mas sim os erros
cometidos. O maior erro – segundo o deputado José Dias – foi a minha escolha
para companheiro de chapa de Garibaldi Alves, a quem ele qualificou como “o
melhor deputado que o Rio Grande do Norte já teve, mas que, naquela
circunstância, eleitoralmente não somava”.
Agradeço a referência elogiosa à minha pessoa. Porém, desejo ressalvar, a bem a
verdade histórica, alguns aspectos públicos e notórios, acerca da eleição de
2006.
Não sou líder, nem proprietário de colégios eleitorais, ou partidos, no RN.
Elegi-me seis vezes deputado federal pela confiança, coerência e credibilidade
que despertei no eleitorado. Nunca consegui disputar eleição majoritária,
embora pleiteasse no âmbito partidário quatro vezes para o Senado Federal. Em
2004, atendi apelo patético do então PFL para preencher espaço na disputa da
Prefeitura de Natal, diante de uma quebra de compromisso da governadora Vilma
de Faria, que vetou a indicação pelo PFL do vice de Carlos Eduardo. Sabia do
risco, mas atendi ao Senador José Agripino, que me acenou com perspectivas
futuras.
Quando fui indicado para vice-governador de Garibaldi Alves em 2006, saíra da
reeleição em 2002, como o mais votado do meu Partido (97.425 votos) e o segundo
da coligação. O deputado Iberê Ferreira teve apenas 6.457 votos a mais (103.882
votos). Á época - entre 2002/2006 - o meu nome foi cogitado em pesquisas para o
Senado Federal, com índices satisfatórios e animadores. Não era, portanto, um
peso morto na política, despido de condições eleitorais para colaborar na
disputa de 2006, como dito.
O deputado José Dias mencionou que o meu nome “eleitoralmente não somava”. Ele
se referiu, certamente, ao senador José Agripino e não a mim. Se a minha pessoa
não somava, no sentido tradicional da política (propriedades privadas de
colégios eleitorais), também não diminuía, pelo fato da rejeição ser
praticamente zero nas pesquisas. A coligação de Garibaldi foi com José Agripino
e os seus liderados e não comigo. Tendo sido fundador do PFL (DEM) e preservado
a coerência, não havia como o meu nome deixar de somar, pela identidade com JA
e o seu partido.
Tenho a consciência de que antes do convite a minha pessoa, a coligação do
PMDB-PFL cogitou os nomes de Robinson Faria, Getúlio Rêgo e José Adécio para
vice de Garibaldi. Não discuto a contribuição eleitoral, que os velhos e leais
companheiros Getúlio e José Adécio teriam dado à campanha. Em relação ao
deputado Robinson Faria – que alguns alardeiam teria elegido Garibaldi Alves
como vice se o tivesse apoiado, ao invés de Vilma – lembro, apenas, que na
região agreste-litoral, a chapa Garibaldi-Alves- Ney Lopes perdeu no primeiro
turno, apenas por 2.876 votos. No primeiro turno, Vilma ganhou no cômputo
geral do Estado, com uma diferença de 15.013 votos. No
agreste-litoral, ela - com o apoio de Robinson - alcançou 31.121 votos e
Garibaldi Alves 28.245 votos. Neste cálculo, estão as votações de Ares, Baía
Formosa, Brejinho, Canguaretama, Espírito Santo, Goianinha, Jundiá, Lagoa
D’danta, Lagoa de Pedras, Lagoa de Velhos, Lagoa Salgada, Montanhas, Monte
Alegre, Monte das Gameleiras, Nísia Floresta, Nova Cruz, Parazinho, Passa e
fica, Passagem, Pedro Velho, Santo Antonio, Campestre, São José de Mipibú,
Georgino Avelino, Serra de São Bento, Serrinha, Tibau do Sul, Várzea e Vila
Flor. Não registro demérito à liderança da Robinson Faria, que se expandiu nos
últimos anos. Porém, a verdade estatística não pode ser omitida.
Recordo, ainda, que em 2006, o PFL de então foi totalmente isolado do marketing
pelo PMDB. Nunca permitiram que participasse do horário eleitoral, mesmo tendo
sido, por mais de vinte anos um deputado bem avaliado. José Agripino falou
poucas vezes no horário eleitoral. O clima era realmente de “já ganhou”, como
disse o deputado José Dias. Infelizmente, o senador Garibaldi Alves partiu na
frente e chegou atrás. Ninguém tem culpa disto. Ficou apenas a lição de que o
eleitor exigiu em 2006 pelo menos um mínimo de coerência nas coligações
políticas para eliminar a pecha do oportunismo.
Uma boa lição!
Ney Lopes – Jornalista e ex-deputado federal
Artigo publicado no O Jornal de Hoje
19/01/2010 - Natal - Rio Grande do Norte