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"Ney Lopes é um parlamentar brilhante, Relator das matérias mais importantes e delicadas do
Congresso Nacional." Disse Mário Covas.
 
 
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Histórias de Calazans Fernandes PDF Imprimir E-mail
07-Fev-2010

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                Faleceu em São Paulo Calazans Fernandes. Devo-lhe muito da minha formação jornalística. Estimulado por ele e Manoel Chaparro (o português que dirigiu o jornal A ORDEM, em Natal) cheguei a ganhar o “prêmio Esso de Reportagem”.

Calazans definia o jornalismo como a busca do “furo”. Primava pela clareza das primeiras linhas do texto para o leitor interessar-se. Acertamos instalar um jornal em Natal. O nome seria “O repórter”. Ficou em sonho. Faltou dinheiro.

                Quando chefiou a redação do Jornal do Brasil percebeu um gavião pousado na torre/relógio da Mesbla no Rio de Janeiro. Mobilizou os repórteres para cobrir o tal gavião, que passou a ser manchete. Uma multidão de pessoas diariamente ficava à frente da Mesbla para discutir o tema “gavião”. Vendeu muito jornal!

                Calazans foi grande amigo de Jaime Dantas, conterrâneo e jornalista de projeção internacional, que o chamava pelo apelido de Marcelino Vieira – sua terra natal - "Chico da comadre Toinha".  Foram seminaristas.

                Conta Roberto Dantas, filho de Jaime, que os “dois” sempre bolavam algo e pensavam em fazer matérias sobre o RN.  Quando trabalhavam na revista americana “Time” conseguiram doações para a banda de música da cidade de Marcelino Vieira. Como premio, a banda compôs os dobrados Calazans Fernandes e Jayme Dantas.

                Certa vez, Jaime e Calazans levaram para o Rio de Janeiro, Ascenso Ferreira. Na casa de Jaime, o poeta sertanejo “excedeu-se” na galinha caipira ao molho pardo. Terminou chorando e declamando os seus poemas.   Os dois fizeram matérias inéditas sobre Ascenso, publicadas na mídia nacional e internacional.

                Ao assumir a secretaria de educação do RN, no governo Aluízio Alves (1962), Calazans juntou-se a Jaime, que era o correspondente da revista “Time” no Brasil e conseguiram impressionar o presidente John Kennedy para liberar milhões de dólares (Aliança para o Progresso”), destinados a um mega programa de alfabetização em massa, a base do método do professor Paulo Freire.               

                O nordeste brasileiro era visto como o caldeirão das “ligas camponesas” de Francisco Julião. Como acreditar que o governo americano doasse dólares para financiar programa de um intelectual da esquerda?  Por incrível que pareça, tudo deu certo.

                Em 1966, após trabalhar com ele em Recife na FOLHA, JC e DP - vinculei-me a Odilon Ribeiro Coutinho e ajudei a fundar o MDB no RN. Com 21 anos candidatei-me a deputado federal. Tempos duros! Ao final, milhares votos, porém não alcançado o quociente eleitoral.

                Em 1967, Calazans vai para a FOLHA. Convidou-me. Preferi casar, ficar em Natal como correspondente da Folha, Diário de Pernambuco e advogado. Com ele foram Gaudêncio Torquato e Manuel Chaparro, colegas em Recife.

                Além da editora abril, Calazans trabalhou com Roberto Marinho, na Globo. Ajudou a criar a Fundação Roberto Marinho e os telecursos de educação a distancia.          

                Em 1974 candidatei-me a deputado federal. Calazans dirigia a editora abril.  Pediu-me uma foto colorida. Tirei-a com Lolita, que me presenteou. Na campanha recebi a doação de milhares de cartazes coloridos, que fizeram sucesso, pela qualidade do papel e impressão. Nem o frete paguei. A inveja e a maldade caíram impiedosamente sobre mim. Insinuaram que usara recursos do Estado. Na revolução, não havia o direito de defesa. Prevaleceram as criminosas denuncias “encomendadas” na imprensa marrom. Incrivelmente, esta foi uma das causas da cassação do meu mandato, em 1976. Calazans revoltava-se quando se referia a esta ignomínia.

                Partiu um amigo. Deixa o perfil do idealista e lutador intemerato.

  • Ney Lopes – Jornalista; advogado e ex-deputado federal

Publicado aos domingos nos jornais
DIÁRIO DE NATAL e GAZETA DO OESTE
Natal e Mossoró - Rio Grande do Norte
 

 

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