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Estamos em pleno
carnaval. Uma das marcas desta festa popular é o samba, nascido no
Rio de Janeiro, no final do século XIX, dançado pelos negros
imigrantes baianos. O ritmo alastrou-se por todo o país, com
batuques contagiantes e envolventes.
A política brasileira,
em algumas situações, assemelha-se a passos de samba no carnaval,
tipo “samba do crioulo doido”, a composição de Stanislaw Ponte
Preta. Difícil (ou impossível) compreender certas coisas que se viu
e outras que se vê. Só há a explicação de que o “passo do
samba” substitui a coerência pela emoção e o improviso do ritmo.
Prevalecem as evoluções desencontradas, divulgadas na mídia.
O desempenho do governo
petista, a sucessão presidencial em marcha e a leveza da oposição
refletem verdadeira cadência de sucessivos passos de samba, na
passarela da opinião pública.
Notem-se certas
observações e fatos.
A vitória do PT em
2002 expressou equivocada rejeição popular, em relação às
políticas econômico-sociais dos dois governos de FHC. Na campanha
eleitoral, o PT pregou a radical mudança do modelo econômico
vigente. Atribuiu que as dificuldades sociais eram resultado de
omissões do então governo. O lema de campanha – “Brasil
para todos” – assumiu
três compromissos: crescimento econômico; geração de empregos;
diminuição das desigualdades. Lula chegou ao governo, assinando
antes a “carta ao povo brasileiro”, quando consentiu em recorrer
ao FMI. Neste particular, o presidente foi coerente. Já em 2003
firmava o seu próprio acordo com o FMI e estabeleceu diretrizes
semelhantes aos anteriores, assinados no Governo FHC. O argumento era
a necessidade de obter uma espécie de “cheque especial” (US$ 15
bilhões) para utilizar em hora de crise. Passado o tempo, o PT
contabiliza o seu maior acerto, que foi o de contrariar o próprio
palanque e manter, integralmente, as linhas da política econômica
que herdou. Tudo começou com a entrega do comando do Banco Central a
um competente técnico – Dr. Henrique Meireles-, que ganhara
mandato de deputado federal na legenda do PSDB (adversários
ferrenhos do PT) e fora presidente do Banco de Boston, símbolo do
capitalismo mundial.
Sem dúvida, “passo
de samba” bem sucedido do presidente Lula.
Na política externa, o
objetivo é transformar o Presidente numa liderança mundial. O jogo
diplomático brasileiro tem sido de empates permanentes, contrariando
Jackson do Pandeiro, que cantava “o jogo não pode ser um a um”.
A extrema cordialidade dispensada ao presidente do Irã, Mahmoud
Ahmadinejad, é um dos exemplos mais concretos. O governo para sair
bem na foto colocou o tapete vermelho e agradou os “companheiros”
Morales, Rafael Correa e Chávez. Ao mesmo tempo, justificou-se
perante o presidente Obama, alegando que tivera o cuidado de antes
receber os presidentes de Israel, Shimon Peres e da Autoridade
Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, além de manifestar-se a favor do
uso pacífico da energia nuclear.
Para “ternurar” a
ala radical latino-americana indagou publicamente por que os Estados
Unidos admitem que outros países usem a energia nuclear e queiram
proibir somente o Irã? Obama explicou que a sua intenção é
evitar que a humanidade
se coloque à
beira da destruição total.
Pelo tratado de não proliferação de armas nucleares são proibidos
testes reais com os novos artefatos. Os testes virtuais realizados
por supercomputadores têm um custo extremamente elevado. Virá a
guerra inevitável, se o Irã for liberado e tiver a moderna
tecnologia de enriquecimento do uranio.
Sensibilizado pelos
argumenos de Obama, o próximo “passo” do governo é a promessa
de abrir espaço nas conflitantes relações dos Estados Unidos com
Irã, na pogramada visita presidencial brasileira aquele país. “Uma
no ferro, outra na ferradura”, para empatar o jogo!
Na
sucessão presidencial, os passos de samba continuam. Estimulado
pelas pesquisas, o governo avança na propaganda eleitoral, com o
lançamento público da candidata Dilma Rousseff, divulgada em
inaugurações e comícios permanentes. O ritmo tonteia a oposição,
que se mostra leve e sem preparo físico para acompanhar as evoluções
do Planalto. Se requerer a aplicação da lei eleitoral, o governo
diz que está intimidada. Se nada fizer corre o risco de perder
fôlego eleitoral. É o caso de lembrar: “se correr o bicho pega;
se ficar o bicho come”.
Neste
domingo de carnaval melhor será melhor acompanhar na TV o desfile da
Sapucaí. Os passos de lá têm lógica e ritmo próprio. Os de
Brasília são do tipo Chacrinha: “não
vim para explicar. Vim para confundir!
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