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Nada
melhor do que o carnaval para retratar a política brasileira,
especialmente a do Rio Grande do Norte. Os fatos desencontrados e
inesperados se assemelham aos batuques contagiantes e envolventes do
samba, ritmo nascido no Rio de Janeiro no final do século XIX,
dançado pelos negros imigrantes baianos, do tipo o “samba do
crioulo doido”, a composição de Stanislaw Ponte Preta
Como
declarou, certa vez, o senador Garibaldi Filho “ninguém é de
ninguém”. E todos são de todos! A ordem é sobreviver a qualquer
custo, independente do preço pago. A opinião pública assiste
atônita. Impossível prever a reação das urnas.
Idéias,
inovações, programas e propostas são jogados no baú do
esquecimento. Ninguém sabe, ninguém viu. Substitui-se a coerência
pela emoção e o improviso do samba político.
Tudo
tem origem em cenas e fatos do passado.
Em
2002, o PT para “sobreviver” e ganhar a eleição, deixou de lado
compromissos mínimos com a verdade e a coerência. Limitou-se a
condenar veementemente as políticas econômico-sociais dos dois
governos de FHC. Pregou a radical mudança do modelo econômico
vigente. Lula chegou ao governo, assinando antes a “carta ao povo
brasileiro”, quando consentiu em recorrer ao FMI. Neste particular,
o presidente foi coerente. Já em 2003 firmava o seu próprio acordo
com o FMI e estabelecia diretrizes idênticas aos anteriores,
assinados no Governo FHC !!!
Na
política externa, o objetivo é transformar o Presidente Lula numa
liderança mundial. O jogo diplomático brasileiro tem sido de
empates permanentes, ao contrário de Jackson do Pandeiro, que
cantava “o jogo não poder ser um a um”. A extrema
cordialidade dispensada ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, é
um dos exemplos mais concretos. O governo para sair bem na foto
colocou o tapete vermelho e agradou os “companheiros” Morales,
Rafael Correa e Chávez. Ao mesmo tempo, justificou-se perante o
presidente Obama, alegando que tivera o cuidado de antes receber os
presidentes de Israel, Shimon Peres e da Autoridade Nacional
Palestina, Mahmoud Abbas.
Na
sucessão presidencial, os passos de samba continuam. O governo
antecipa a propaganda eleitoral, com o lançamento público da
candidata Dilma Rousseff, divulgada em inaugurações e comícios
permanentes. O ritmo tonteia a oposição, que se mostra leve e sem
preparo físico para acompanhar as evoluções do Planalto. Se
requerer a aplicação da lei eleitoral, o governo diz que está
intimidada. Se nada fizer corre o risco de perder fôlego eleitoral.
É o caso de lembrar: “se correr o bicho pega; se ficar o bicho
come”.
No
Rio Grande do Norte o “vai e vem” continua. Três candidatos ao
governo estão a frente da ribalta. Uma de oposição (senadora
Rosalba Ciarlini) e dois do governo (Iberê Ferreira e Carlos
Eduardo). Por “habilidade” e “competência” –
desculpe o leitor o uso impróprio desses termos – alardeia-se que
política se faz somando. Nessa linha somam-se quantidades
heterogeneas e ficticias, que só existem na aparência. Na política,
como no comércio, há aqueles que vendem e não entregam....
Neste
domingo de carnaval melhor será melhor esperar na TV o desfile da
Sapucaí. Os passos de lá têm lógica e ritmo próprio. Os de
Brasília e do RN são do tipo Chacrinha: “não
vim para explicar. Vim para confundir!
Publicado
aos domingos nos jornais
DIÁRIO DE NATAL e GAZETA DO OESTE
Natal
e Mossoró - Rio Grande do Norte
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