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Visitei
recentemente Dubai, o ícone do desenvolvimento no golfo pérsico.
Ouvi pessoas e li muito sobre aquela área do planeta.
Lembrei-me
do Rio Grande do Norte. Não se diga que todo o sucesso econômico de
Dubai é em razão das suas reservas de petróleo. Dubai ofertou
empregos e oportunidades, pós II Guerra Mundial, sem usar estas
reservas, o que somente ocorreu em 1962, quando o primeiro
carregamento do “ouro negro” foi exportado.
A
prosperidade dos países do golfo pérsico, antes da II Guerra, era
sustentada pela indústria de pérolas originais, que gerava emprego
e renda para o povo. A partir da descoberta pelos japoneses das
pérolas cultivadas, a indústria da pérola no golfo foi dizimada.
Qual
a solução encontrada?
Antecipando-se
a Deng
Shao Ping - que revolucionou a economia da China -, Dubai aproveitou
a sua posição geográfica privilegiada para expandir o turismo e
criar uma área de livre comércio. Até hoje funciona a Zona
Econômica Livre de Jebel Ali, com oferta de milhares de empresas e
grande atividade comercial e industrial liderada pelas indústrias
hoteleira, construção civil, gás,
alumínio,
cimento
e todos os ramos da economia.
Incentivos fiscais para produção, exportação e liberdade para
repatriar capital, asseguram o sucesso do modelo em prática.
A
semelhançca de Dubai, o Rio Grande do Norte tem posição geográfica
privilegiada para instalar polo turístico nas Américas e uma Zona
Econômica Livre, no modelo das áreas de livre comércio, que
substituiram no mundo as antigas ZPE´s (Zonas de Processamento de
Exportação). O aeroporto de São Gonçalo do Amarante é o
instrumento fundamental.
A
ação do senador Romero Jucá e a bancada federal de Roraima tiraram
do Rio Grande do Norte a grande chance de termos uma área de livre
comércio. Na votação da lei 11.732, de 30.06.2008, relatada pelo
deputado potiguar Henrique Alves, deixou de ser apresentada emenda a
favor do nosso Estado. Aprovou-se na lei (art. 5°), a criação de
uma área de livre comércio – a única no país -, no estado de
Roraima, nos municípios de Boa Vista e Bonfim. O RN ficou de fora. A
justificativa foi que Roraima é fronteira terrestre. Por que excluir
o RN, que representa a maior fronteira aérea e marítima da América
Latina em relação à Europa e África? Na hora H
faltou a defesa da implantação no Estado de um “pólo exportador
e turístico”.
Fala-se
que está próxima a legalização de uma ZPE para Macaíba. Não sou
contra, porém é muito pouco para o RN. Vamos
disputar com dezenas de outras ZPE´s em instalação no país. Se
tivesse sido criada a nossa área de livre comércio seríamos únicos
no Brasil, juntamente com Roraima.
Por
que Roraima lutou por uma área de livre comércio e não por uma
ZPE? Simplesmente, pelo fato da ZPE ser limitada e comparada aos
distritos industriais do passado, nos quais as empresas operavam com
suspensão de impostos, liberdade cambial e procedimentos
administrativos simplificados. Na década de 80 criaram-se 17 ZPE´S
no país (inclusive Macaíba), através de Decreto-Lei, instrumento
revolucionário. Nenhum parlamentar teve projeto de lei aprovado
neste sentido. Tudo foi por decreto presidencial.
Estamos
em pleno ano eleitoral. Ainda há tempo de abrir o debate em torno do
aeroporto de São Gonçalo do Amarante, como instrumento de
sustentação de um pólo turístico e exportador nas Américas.
Há fatos que são incontestáveis. Um deles é que a nossa zona
econômica especial será destinada a todo o Estado e funcionará a
base de núcleos regionais de produção de bens e serviços nas
diversas regiões. Não há lógica em criar uma ZPE em cada
município.
ZPE
é recomendada para os estados brasileiros que não tenham condições
de implantar áreas de livre comércio. O RN – como Roraima - tem
estas condições e não pode simplesmente jogá-las na lata do lixo.
- Ney Lopes – Jornalista e ex-deputado
federal
Artigo publicado
no O Jornal de Hoje
27/02/2010 - Natal - Rio Grande do Norte
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