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Vale
à pena conhecer os Emirados Árabes para comprovar a visão criativa
e globalizante dos seus governantes e do povo. Algo extraordinário
está sendo construído naquela área do Golfo Pérsico.
Visitei
recentemente Dubai, Abu Dhabi e Al Fujairah. Integram, ainda, os
Emirados, os territórios de Sharjah, Ajman, Umm AL-Quwain e Rãs
AL-Khaimah. Em viagem particular fiz os contatos e observações
possíveis.
Constatei,
de saída, que Dubai já afastou a tão propalada crise de liquidez
dos seus Bancos, que poderia levar à falência. Quando lá estava,
acompanhei pela imprensa o anuncio da descoberta de um campo de
petróleo em alto mar, que dará impulso à economia local. O novo
campo contribuirá para a melhoria da capacidade econômica de Dubai
e Emirados. O otimismo era geral e se propagava que a crise passara a
ser coisa do passado. Acredito que sim.
Sem
dúvida, ocorre verdadeira revolução econômica nos Emirados,
similar a que aconteceu na China, consideradas as diferenças
culturais e religiosas, se comparados os dois modelos com o Ocidente.
Trata-se de tipo diferente de governo, vinculado a uma família real.
Funciona Parlamento, com parte dos seus membros eleitos pelo voto dos
cidadãos. Não se percebe qualquer tipo de insatisfação popular,
nem pobreza nas ruas.
Os
Emirados Árabes Unidos nasceram em 1971, sob a liderança firme e
competente do Xeique Zayed Bin Sultan Al Nahyan. Os sete países
aprovaram uma Constituição e se uniram numa espécie de
Confederação. Ao contrário do estado federal, os sete países têm
soberania para decidir sobre a sua permanência ou não na
confederação.
O
Xeique Zayed’s assemelhou-se à Deng
Shao Ping,
que revolucionou anos depois a economia da China. Deve-se a sua ampla
visão de futuro, o lançamento dos alicerces para a implantação
das mudanças construídas no calor das areias do deserto, hoje
consolidadas e em plena expansão econômica, na busca da
sustentabilidade, sem dependência do petróleo. Os Emirados
constituem vibrante centro comercial e financeiro, com a expansão
crescente da indústria do turismo, construção
civil, gás,
alumínio,
cimento
e outros ramos da economia.
Não
se diga que as reservas de petróleo explicam, por si só, o sucesso
econômico dos Emirados. Falsa impressão. A exploração petrolífera
local, em termos econômicos intensos, teve início em 1962. Antes
disto, os países do golfo pérsico apoiavam a sua economia na
indústria de pérolas originais, que gerava emprego e renda. A
partir da descoberta pelos japoneses das pérolas cultivadas entrou
em colapso a indústria da pérola no golfo.
Após
a II Guerra, para enfrentar a crise econômica emergente, Dubai
aproveitou a sua privilegiada posição geográfica e implantou -
antes
da China - uma área de livre comércio. Até hoje funciona a Zona
Econômica Livre de Jebel, que oferece incentivos fiscais para
produção, exportação e liberdade para repatriar capital.
Observe-se que apenas 7% da renda de Dubai é obtida com a extração
do petróleo. A maior fonte de recursos é a área de livre
comércio de Jebel.
O
Xeique Zayed’s imaginou erguer do “nada” (região desértica)
uma sociedade moderna, vibrante e nível mundial. Conseguiu, sem
destruir os atributos religiosos e culturais, que são as tradições
preservadas pelo governo e a população.
Com
a morte de Zayed’s em 2005, assumiu o poder, seu filho, Khalifa Bin
Zayed Al Nahyan, que é o presidente atual do EAU. Segue os mesmos
princípios do pai. Uma das suas preocupações é a busca de fontes
de energia alternativa para evitar a dependência total do petróleo.
Em Abu Dhabi existem prédios com aletas articuláveis para produção
de energia eólica, que atende o consumo interno.
Os
Emirados Árabes Unidos misturam as antigas tradições árabes com o
modernismo das mega metrópoles. Um vídeo institucional proclama que
o único limite à arquitetura local é a imaginação. O maior
exemplo está em Dubai, na ilha artificial de Palm Juneirah, em forma
de palmeira, erguida em pleno mar. Toda a construção envolveu
material natural composto de pedras, terras e areias retiradas de
diversas partes do país e do próprio golfo pérsico. Preservar o
meio ambiente é uma preocupação constante.
O
que se constata ao visitar os Emirados é uma lista de superlativos,
tais como: o maior edifício do mundo, a melhor pista de formula 1 do
mundo, o maior shopping do mundo, “Emirates”
- a melhor companhia aérea do mundo ...
É
preciso ver tudo isto para crer!
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