Estando
em São Paulo soube hoje cedo da morte prematura do amigo Marco
Antonio Cavalcanti da Rocha. No início da semana tive notícia
através do Dr. Ginani – seu concunhado –, que tivera um enfarte
no domingo, quando visitava familiares em Brasília. Mesmo internado
na UTI, não resistiu.
Fomos
colegas de jornalismo e no curso de Direito da Faculdade do Recife,
cidade onde dividimos apartamento por mais de um ano. Diariamente,
trabalhávamos na redação da emissora de Educação Rural em Natal
e no jornal A ORDEM, ao lado de Marco Aurélio de Sá, Jardelino
Lucena, Otomar Lopes Cardoso (falecido recentemente), o português
Manoel Chaparro e outros colegas.
Marco
Antonio era um gentleman.
Verdadeira enciclopédia humana. Com memória prodigiosa, ilustrava a
notícia que redigia para os noticiários radiofônicos da Rádio
Rural, com pinceladas históricas e literárias, numa demonstração
diária de talento e conhecimentos. Na época, não existia Internet,
nem fax. Ouvíamos rádios do Rio e SP e anotávamos as informações
para redigir os textos dos noticiários.
Em
1966, acertamos viajar à Paris para freqüentarmos um curso de
sociologia, no Instituto IRFEDS, dirigido pelo padre Lebret,
dominicano francês, que influenciou a nossa geração, por ter
fundado o movimento “Economia e Humanismo”, de grande atualidade
até os dias de hoje. Não pude concretizar o projeto. Marco, após
concluir Direito em Recife, graduou-se em desenvolvimento no
Instituto do padre Lebret e fez pós-graduação em Planejamento de
Recursos Humanos pelo ILPES/CEPAL, em Santiago, Chile.
Tornou-se
profissional altamente qualificado, tendo sido Diretor Executivo da
Comissão Fulbright, professor da Universidade Federal Fluminense –
UFF - e da UFRN, Secretário Substituto de Assuntos Internacionais do
MEC, Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFRN, Secretário
Municipal de Natal/RN, Coordenador Geral de Secretaria Estadual do
RN, técnico da SUDENE e Jornalista.
Recordo
a expressão de Homero, de que os homens são como ondas: quando uma
geração floresce, a outra declina. A minha geração
empobrece com a morte deste Amigo. Torna-se cada dia mais evidente a
transitoriedade da vida. Todos nós caminhamos para a “curva da
estrada”, de que fala Fernando Pessoa. Só que Marco deu a “curva”
muito cedo e partiu. Ainda poderia ter dado grandes contribuições
profissionais e humanas ao RN e ao Brasil. Que Deus o acolha na
Eternidade!
- Ney Lopes –
Jornalista e
ex-deputado federal
Artigo
publicado no O Jornal de Hoje
16/04/2010 - Natal - Rio Grande do Norte
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