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A
propósito da realização das convenções partidárias neste final
de semana recordei alguns sonhos da minha vida pública. Aliás, a
política – como a vida – é feita de sonhos. Comecei a fazer
política na época em que menino, usava calça curta. Fui presidente
da SIAN (seção infantil da Arcádia Natalense), um grêmio
estudantil no Colégio Marista. Até hoje, não desencarnei. Aqui
acolá dou palpites, uso a experiência acumulada e tento ajudar,
mesmo sem ter mandato Afinal, este é um direito da cidadania, por
mais que os palpites dados possam ser rotulados de chatice e
incomodem os chatos e auto-suficientes. Coisas da vida!
A
propósito da última visita de Bill Clinton a Natal, lembrei um
sonho sonhado em 2006, quando fui candidato a prefeito. Defendia a
realização na cidade de um encontro dos presidentes do Brasil e dos
Estados Unidos. Seria Conferência de integração da América Latina
e Caribe para o lançamento do “Merconorte” – uma área de
livre comércio, que reuniria os países latino-americanos,
limítrofes no norte do país. Tal evento consolidaria Natal como
local ideal nas Américas para eventos internacionais pela
proximidade geográfica com a Europa, África e Estados Unidos.
Quando presidi o Parlatino incentivei vários estudos de
viabilização do “Merconorte”, que movimentaria mercado
consumidor de cerca de 100 milhões de pessoas, gerando emprego,
renda, além de meio eficaz de combate ao narcotráfico na fronteira.
O
encontro dos presidentes brasileiro e americano teria o precedente
histórico da “Conferencia do Potengi”, realizada em 1943, no
Pátio da Rampa, durante a II Guerra. À época, o presidente
Roosevelt se encontrara com Churchill em Casablanca, no Marrocos.
Voou direto para o encontro com o Presidente Getúlio Vargas, em
Natal. Até hoje, o nosso turismo praticamente desconhece fato de
tamanha relevância.
Na
mesma campanha de prefeito sonhei outro sonho. Foi a proposta de
construção em Natal da “cidade olímpica”, próxima ao Parque
dos Coqueiros, composta de estádios, escolas, áreas de treinamento
esportivo, tudo que colaborasse na formação do atleta potiguar.
Imagine-se o alcance da ideia com o Brasil agora sediando as próximas
Olimpíadas. O dinheiro viria do incentivo fiscal concedido para
aplicação no esporte. A Petrobrás, que há anos extrai o nosso
petróleo, poderia colaborar, além de outras empresas. Como a
mediocridade não tem limites, cheguei a ser gozado e acusado de
tentar “desmembrar” o município de Natal. Que má fé! A
“cidade olímpica” seria apenas mais um bairro, idêntica a
Cidade da Esperança, Cidade Nova, Cidade Jardim...
Na
semana passada, li na imprensa que Andre Rieu – o famoso violinista
holandês – se prepara para um grande show na América Latina, a
ser transformado em DVD internacional e comercializado no mundo.
Escolheu o Brasil como palco. Por que não trabalhar a ideia do
espetáculo ser realizado no Forte dos Reis Magos, uma das maiores
edificações da Holanda na América Latina? Em 2004, o Parlatino
trouxe a Natal uma delegação de deputados do Parlamento Europeu.
Dois deles eram holandeses e me sugeriram cooperação com o governo
da Holanda para instalar no Forte dos Reis Magos uma concha acústica
para concertos e shows. Sugeri aos governantes e nada se fez. Aliás,
no RN é pecado mortal ter propostas. A regra é nivelar-se por
baixo. Tenta-se levar até ao ridículo. Sei disto pela minha luta, a
favor de uma área de livre comércio.
Bem,
são apenas sonhos. Victor Hugo já escreveu que “não há nada
como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”.
Por isto sempre sonho...
- Ney
Lopes – Jornalista;
advogado, professor
de direito constitucional e ex-deputado federal.
Publicado
aos domingos nos jornais
DIÁRIO DE NATAL e GAZETA DO OESTE
Natal
e Mossoró - Rio Grande do Norte
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