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Na
noite de 20 de abril passado, habituados a rotina de quem opera
máquinas de extração de petróleo em alto mar, dezenas de
trabalhadores da plataforma “Deepwater Horizon”, arrendada pela
empresa British Petroleum (BP) no Golfo do México, foram
surpreendidos com violenta explosão, que resultou na morte imediata
de 11 funcionários. Iniciava-se o vazamento de petróleo cru na
tubulação imersa a quase 2.0 quilômetros da superfície do mar,
com prejuízos incalculáveis para a fauna marinha, o turismo e a
pesca. Formou-se extensa “mancha negra” – que perdura até hoje
-, ampliando-se sobre o Oceano Atlântico, em área equivalente a
onze vezes a cidade do Rio de Janeiro.
Este
é o maior desastre ecológico da história norte-americana.
O
mundo atônito discute as conseqüências da tragédia, que provoca
sérias ameaças ao eco sistema (conjunto de seres vivos) e coloca em
xeque a indústria petroleira, sobretudo as recentes autorizações
de Obama para perfurações em águas profundas do Atlântico e do
Alaska.
Dois
aspectos merecem reflexão, por terem íntima relação com o Brasil,
um dos maiores produtores mundiais de petróleo. A catástrofe
mexicana colocou em dúvida a viabilidade econômica da chamada
operação “offshore” (exploração de petróleo em mar aberto) e
das reservas do “pré-sal”, cuja extração atingiria
profundidade de até 8.000 metros da superfície do mar.
A
exploração de petróleo em reservatórios situados em alto mar (na
área “offshore”) remonta ao ano de 1947, no Mar Cáspio,
Azerbaijão. A partir daí, a indústria “offshore” iniciou a sua
expansão, chegando ao Golfo do México e a Venezuela. No Brasil, a
exploração em reservatórios “offshore” começou na Bacia de
Sergipe (1968), campo de Guaricema. Nos anos seguintes ampliou-se
para a costa de Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. Diante do
sucesso econômico, a Petrobras investiu maciçamente em tecnologia
própria de plataformas. O pioneirismo da Petrobras valeu em 1991 o
prêmio “OTC Distinguished Achievement Award”, outorgado pela
“Offshore Technology Conference”, nos Estados Unidos. No ano
seguinte, a empresa foi reconhecida como a que mais contribuiu para o
desenvolvimento mundial da indústria “offshore”. Todas as
instalações “offshore” (marítimas) existentes no país têm a
finalidade de extrair gás e petróleo.
As
operações de extração do petróleo em terra (“onshore”) são
bem mais simples. Levam meses (máximo três anos) para o início da
produção comercial. As “offshore” demandam pesados
investimentos e alcançam seis anos ou mais, em razão das incertezas
do mar. Especialistas brasileiros começam a admitir, que extrair
óleo de milhas submarinas será antieconômico. Os equipamentos de
segurança (tubo de tubulação) tendem a elevar de preço,
principalmente em áreas como o Mar do Norte e o Golfo do México.
Tais circunstancias exigirão mais dinheiro e muitas empresas -
médias e pequenas - abandonarão a atividade “offshore” para se
voltarem à extração do petróleo em terra.
Por
outro lado, a nossa matriz energética não dispõe de tecnologia
para geração de energia eólica “offshore”, cujo custo –
inclusive “onshore” – é altíssimo e se apóia em
financiamentos oficiais e incentivos fiscais. Melhor seria o
incentivo ao uso do etanol, herança do Proálcool, criado na década
de 1970, que coloca o país como o segundo produtor mundial de um
combustível limpo e renovável, além de reafirmar posição de
destaque na busca por fontes alternativas de geração de energia e
no esforço para flexibilizar o parque gerador nacional.
Neste
torvelinho de incógnitas econômicas, o pré-sal poderá ser
afetado, tendo em vista a extensa profundidade das rochas que
acumulam petróleo, as quais se estendem por baixo de camadas de sal,
com espessuras de até 2.000 metros.
Estudos
técnicos desenvolvidos após o caso do Golfo do México procuram
resposta para questões fundamentais. Por exemplo: quando seria
descoberto e quanto custaria equipamento, que possa sanar um
vazamento localizado a 6 mil metros ou mais da superfície do mar? O
acidente mexicano coloca em prioridade a preocupação universal na
preservação ambiental, o que põe em risco a viabilidade de
continuidade da extração “offshore” do petróleo e gás natural
e também do uso extrativo das camadas do nosso pré-sal.
Infelizmente a verdade é esta!
Na
noite de 20 de abril passado, habituados a rotina de quem opera
máquinas de extração de petróleo em alto mar, dezenas de
trabalhadores da plataforma “Deepwater Horizon”, arrendada pela
empresa British Petroleum (BP) no Golfo do México, foram
surpreendidos com violenta explosão, que resultou na morte imediata
de 11 funcionários. Iniciava-se o vazamento de petróleo cru na
tubulação imersa a quase 2.0 quilômetros da superfície do mar,
com prejuízos incalculáveis para a fauna marinha, o turismo e a
pesca. Formou-se extensa “mancha negra” – que perdura até hoje
-, ampliando-se sobre o Oceano Atlântico, em área equivalente a
onze vezes a cidade do Rio de Janeiro.
Este
é o maior desastre ecológico da história norte-americana.
O
mundo atônito discute as conseqüências da tragédia, que provoca
sérias ameaças ao eco sistema (conjunto de seres vivos) e coloca em
xeque a indústria petroleira, sobretudo as recentes autorizações
de Obama para perfurações em águas profundas do Atlântico e do
Alaska.
Dois
aspectos merecem reflexão, por terem íntima relação com o Brasil,
um dos maiores produtores mundiais de petróleo. A catástrofe
mexicana colocou em dúvida a viabilidade econômica da chamada
operação “offshore” (exploração de petróleo em mar aberto) e
das reservas do “pré-sal”, cuja extração atingiria
profundidade de até 8.000 metros da superfície do mar.
A
exploração de petróleo em reservatórios situados em alto mar (na
área “offshore”) remonta ao ano de 1947, no Mar Cáspio,
Azerbaijão. A partir daí, a indústria “offshore” iniciou a sua
expansão, chegando ao Golfo do México e a Venezuela. No Brasil, a
exploração em reservatórios “offshore” começou na Bacia de
Sergipe (1968), campo de Guaricema. Nos anos seguintes ampliou-se
para a costa de Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. Diante do
sucesso econômico, a Petrobras investiu maciçamente em tecnologia
própria de plataformas. O pioneirismo da Petrobras valeu em 1991 o
prêmio “OTC Distinguished Achievement Award”, outorgado pela
“Offshore Technology Conference”, nos Estados Unidos. No ano
seguinte, a empresa foi reconhecida como a que mais contribuiu para o
desenvolvimento mundial da indústria “offshore”. Todas as
instalações “offshore” (marítimas) existentes no país têm a
finalidade de extrair gás e petróleo.
As
operações de extração do petróleo em terra (“onshore”) são
bem mais simples. Levam meses (máximo três anos) para o início da
produção comercial. As “offshore” demandam pesados
investimentos e alcançam seis anos ou mais, em razão das incertezas
do mar. Especialistas brasileiros começam a admitir, que extrair
óleo de milhas submarinas será antieconômico. Os equipamentos de
segurança (tubo de tubulação) tendem a elevar de preço,
principalmente em áreas como o Mar do Norte e o Golfo do México.
Tais circunstancias exigirão mais dinheiro e muitas empresas -
médias e pequenas - abandonarão a atividade “offshore” para se
voltarem à extração do petróleo em terra.
Por
outro lado, a nossa matriz energética não dispõe de tecnologia
para geração de energia eólica “offshore”, cujo custo –
inclusive “onshore” – é altíssimo e se apóia em
financiamentos oficiais e incentivos fiscais. Melhor seria o
incentivo ao uso do etanol, herança do Proálcool, criado na década
de 1970, que coloca o país como o segundo produtor mundial de um
combustível limpo e renovável, além de reafirmar posição de
destaque na busca por fontes alternativas de geração de energia e
no esforço para flexibilizar o parque gerador nacional.
Neste
torvelinho de incógnitas econômicas, o pré-sal poderá ser
afetado, tendo em vista a extensa profundidade das rochas que
acumulam petróleo, as quais se estendem por baixo de camadas de sal,
com espessuras de até 2.000 metros.
Estudos
técnicos desenvolvidos após o caso do Golfo do México procuram
resposta para questões fundamentais. Por exemplo: quando seria
descoberto e quanto custaria equipamento, que possa sanar um
vazamento localizado a 6 mil metros ou mais da superfície do mar? O
acidente mexicano coloca em prioridade a preocupação universal na
preservação ambiental, o que põe em risco a viabilidade de
continuidade da extração “offshore” do petróleo e gás natural
e também do uso extrativo das camadas do nosso pré-sal.
Infelizmente a verdade é esta!
Coluna semanal
Revista Brasilia em Dia
www.brasiliaemdia.com.br
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