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Sei
que a maioria da classe política potiguar considera “chatíssimo”
falar sobre propostas de geração de empregos, novas oportunidades e
elevação de renda do Rio Grande do Norte. O tema preferido,
sobretudo dos áulicos de plantão, é o elogio sem limites daqueles
qualificados como “competentes”, por encontrarem fórmulas
“criativas” de somar votos; dividir famílias - uns com o pé no
governo e outros na oposição; usar a “bóia” salvadora da
sobrevivência; atropelar impiedosamente quem preserve a coerência
partidária e tentar ganhar a próxima eleição, a qualquer preço.
O curioso é que o povo parece aceitar tudo isto. Aliás, parece. Não
estou seguro se aceitará mesmo. Só as urnas dirão!
Como
“água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” e não
desencarno as minhas preocupações em relação ao nosso futuro,
percebo que o vazamento de petróleo cru ocorrido no Golfo do México
poderá ampliar a oferta de empregos, oportunidades e geração de
renda no Rio Grande do Norte. Por que?
A
catástrofe mexicana colocou em dúvida a viabilidade econômica da
chamada operação “off-shore” (exploração de petróleo em mar
aberto) e, consequentemente, das reservas do “pré-sal”, cuja
extração atingiria profundidade de até 8.000 metros da superfície
do mar. Estudos técnicos desenvolvidos, já após a tragédia do
Golfo do México, procuram resposta para questões fundamentais como,
por exemplo, quando será descoberto e quanto custará equipamento,
que possa sanar um vazamento localizado a 6 mil metros ou mais da
superfície do mar, no caso da exploração do “pré-sal”? Estas
e outras preocupações põem em risco a continuidade da extração
do petróleo e gás natural em alto mar (“off-shore”) e nas
camadas do pré-sal.
Que
relação existe entre o vazamento do Golfo do México e o nosso
estado? O RN detém quase a metade dos poços produtores de petróleo
em terra do país. Junto com o Ceará tem
mais de 50 campos, com cerca de 5000 poços terrestres produzindo.
A
imagem da exploração brasileira de petróleo está associada às
imensas plataformas espalhadas na costa. Todavia, cerca de dois
terços dos nossos campos estão em terra firme, com produção ainda
modesta. Das
29 bacias sedimentares terrestres do Brasil, apenas 5% são
exploradas. É o país de maior potencial para atividade “on-shore”,
com característica geológica semelhante à dos Estados Unidos. O
país perfurou, até hoje, cerca de 30 mil poços terrestres. Os
Estados Unidos abriram 4,5 milhões em um século e meio de extração,
média de 30 mil por ano.
As
operações de extração em terra (“on-shore”) são bem mais
simples. Levam meses (máximo três anos) para o início da produção
comercial. Ao contrário, as “off-shore” demandam pesados
investimentos e alcançam seis anos ou mais, em razão das incertezas
do mar. Os equipamentos de segurança (tubo de tubulação) tendem a
elevar os investimentos. A tendência será muitas empresas
abandonarem a atividade “off-shore” para se voltarem à extração
do petróleo em terra. Terá chegado a vez do Rio Grande do Norte
retomar a liderança perdida na extração de petróleo em terra?
Embora
seja uma “chatice” falar nestas coisas, vale a pena escrever
algumas linhas para meia dúzia de leitores. A hora é de compensar o
muito que já perdemos, antes que, novamente, Ceará
e Bahia avancem e tomem o nosso lugar, como já ocorreu na refinaria
de petróleo e a ferrovia transnordestina. Caso a omissão política
se repita no futuro, a culpa não será dos eleitos. Será de quem
votar errado em 3 de outubro. Depois não reclamem!
- Ney
Lopes – Jornalista;
advogado, professor
de direito constitucional e ex-deputado federal.
Publicado
aos domingos nos jornais
DIÁRIO DE NATAL e GAZETA DO OESTE
Natal
e Mossoró - Rio Grande do Norte
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