"Ney Lopes é um dos melhores parlamentares do Brasil. Quando entrego uma tarefa a ele fico de consciencia tranquila, porque sei do seu trabalho e de sua capacidade." Disse o Senador José Agripino.
O
rescaldo da Copa de 2010 alerta a responsabilidade do Brasil na organização da
Copa de 2014. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória
para reduzir a burocracia e facilitar o financiamento de obras destinadas ao
Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Dias antes, o chefe do governo
brasileiro sugeriu rodízio no comando da Confederação Brasileira de Futebol
(CBF), com uma eleição a cada quatro anos e apenas uma reeleição. Exemplificou
que instituiu este critério, na época em que presidiu o Sindicato dos
Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Outra
atitude presidencial foi a enérgica e oportuna reação às ironias do
secretário-executivo da FIFA, Jerome Valcke, que fizera crítica ao Brasil por
estar retardando providências urgentes na organização do mundial.
Ao assinar a MP, o Presidente
exigiu a máxima transparência na aplicação dos recursos públicos. Decidiu que
os gastos serão divulgados, em tempo real, na Internet. Não se pode negar que a
medida é correta. Entretanto, o sucesso e a lisura da Copa de 2014 dependerão
fundamentalmente do rodízio a ser implantado na direção da CBF, antecedido no
início da próxima legislatura do Congresso Nacional de uma profunda
investigação parlamentar (CPI) no comando e direção do futebol brasileiro, inclusive
as relações com o setor público e privado.
Em que pese o esforço de boa
parte dos congressistas, as Comissões Parlamentares de Inquérito de 1998 e 2000
deixaram muito a desejar. Faltou esclarecer e apurar muita coisa. A hora será o
início de 2011, com a instalação da nova legislatura. Sem isto, de nada valerá apelo
à transparência. Há quase total desconhecimento de como funciona a entidade
máxima do nosso futebol e seus afiliados.
Tem
razão a chamada lei Pelé, quando no artigo 4° define que “a organização
desportiva do país integra o patrimônio cultural e é considerada de elevado
interesse social”. Os clubes e seus atletas simbolizam as emoções coletivas e
embalam os devaneios da juventude.
Do ponto de vista econômico, movimentam-se
quantias fabulosas em espécie, sem o crivo de Tribunais de Contas, ou regras
definidas de fiscalização. Sempre se alega tratar-se de área privada, o que não
é verdade. No mínimo, a atividade futebolística é para-estatal, considerando a
presença dos recursos públicos em edificações, diferimentos de impostos e de
contribuições sociais etc.
Em
tais circunstâncias, não se justifica que a presidência da Confederação Brasileira
de Futebol (CBF) seja um cargo “vitalício”. O atual ocupante exerce a função
desde janeiro de 1989, com o mandato já prorrogado, até 2014. Sem antecipar
pré-julgamentos, não se pode esconder que a aparência de “paz” na CBF reina
apenas no “Colégio Eleitoral” que elege os seus dirigentes. A imprensa ao longo
dos anos tem registrado denuncias de evasão fiscal e divisas, fraude cambial, sonegação
de impostos, apropriação indébita, falso testemunho de dirigentes e prepostos
do futebol nacional.
Até o rei Pelé denunciou em 1993
suspeitas de intimidação da CBF à sua empresa de intermediação de patrocínios –
Pelé Sports -, através de tentativa de chantagem, do então diretor financeiro
da entidade, que exigiu um milhão de dólares depositados na Suíça.
A
verdade é que convergem para a CBF dúvidas sobre nepotismo, altos salários, ajudas
de custo milionárias, assinatura de contratos lesivos ao futebol brasileiro,
dádivas e beneficiamento ilegal a dirigentes de federações estaduais e ação
político-partidária à margem da lei. Enquanto isto, as grandes vítimas – além
do torcedor – são os clubes, que mantêm acesa a chama do esporte e praticamente
nada recebem, salvo isenção de pagamento dos salários dos convocados para a
seleção brasileira.
O
esporte – sobretudo o futebol – é coisa séria no Brasil. Impõem-se, preventivamente,
medidas saneadoras, independente de acusação contra quem quer que seja. Os
próprios dirigentes atuais ficarão mais a vontade, diante das conclusões de uma
Comissão Parlamentar de Inquérito, que investigue os indícios conversados nos
bastidores e não esclarecidos para o grande público. Afinal, quem não deve, não
teme.
Posteriormente,
caberá ao Congresso aprovar, finalmente, uma lei de responsabilidade social
para o esporte. É o que espera a opinião pública vigilante.